terça-feira, 9 de março de 2010

Verdades Imperfeitas


Não desejo a mais inteligente das mulheres.
Meus defeitos seriam facilmente percebidos e julgados.
Ela saberia como ostentar com plenitude a sua razão
em meio a uma exurrada de sentimentos.
Me faria refém de cada palavra e conclusão.
Ao invés de alentos, encheria meu sono de tormentos.

Nem de longe almejo a mais bela delas,
ensimesmada seria, na medida em que fosse desejada.
Faria-me inseguro, e, com a cabeça lotada
eu seria arrogante deveras.

Não me atrai a mais devota,
fidelidade já me basta.
De casa: nada. De cama: tudo.
Lealdade por consequência
da vontade que tudo arrasta.
Seria eivada de decência,
mas, fidelidade já me basta.
No sentido devasso da coisa casta!

Aquela mais paciente não seria a ideal.
Não conheceria fúria, sentimento tão real.
Não seria boa humana, nem tampouco divina.
Seria mesmo uma menina.
Não seria a ideal.

Se, ainda é normal
renegar felicidade.
Recitamos teorias,
ultrajamos a verdade.
É bem verdade que a verdade,
não é bem autoridade.
Nem tudo à vera é qualidade
diante da mediocridade,
de quem pensa em serenidade.

Pois frases e versos perfeitos,
são lençois cordianos.
Que ao longo dos mais belos anos,
aquecem o peito com jeito,
encobrem amores não feitos,
e, mostram o quão vil nos tornamos.

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