
Eu bem queria ser moralmente nobre.
Percebi que sou mais mesquinho
do que essa própria pretensão.
Nem eu mesmo me dou razão.
Eu: sem graça e tão sozinho!
Eu: descrente e de alma pobre!
Um espaço que substitui minha gaveta, outrora destino de singelos pensamentos e sentimentos traduzidos em escrita, que percebi não serem exclusivamente meus. Os sentimentos foram roubados dos seres humanos, e os pensamentos vieram de fora da cabeça para serem lapidados, ou mesmo editados... Para fora dela os devolvo então.
É estranho constatar que o filme da sua vida
não vai passar em lugar algum.
Ele só existe na cabeça de quem o estrela,
e, apenas por instantes.
Esse filme passa todos os dias,
no cigarro da janela antes de deitar.
Edita as cenas gravadas durante o dia,
mas não pode apagá-las.
Pode-se apenas fazer uma crítica.
Inventar argumentos em seu favor,
e dizer que o filme é bom.
Erroneamente pode-se pensar
que ainda não tem final,
que estamos a produzi-lo.
Engano.
O final é este, o final é isto.
É o jeito com que levamos a vida,
com que lidamos com tudo.
Os fins são sempre os mesmos,
pois agimos das mesmas maneiras.
Os fins não são dependentes dos meios.
A essência determina-os.
Fim.